CAPÍTULO 5-

A grana já não era muita e agora o Zinho e o Buss estavam começando suas famílias. A prioridade já não era mais o Cogumelo. Em dezembro de 77, saía a última edição do jornal, anunciando a 2ª Coletiva Nacional de Arte de Rua, que aconteceria só em abril do ano seguinte. Nessa época, a Inês já estava mais envolvida e assinou os últimos jornais como responsável também. Ela continuou na literatura, escreveu livros infantis e é contadora de histórias, além de lecionar na UDESC. Vez ou outra volta para Brusque na casa construída no mesmo terreno onde a Turma da Pedra fazia seus piqueniques. Só alguns metros atrás da Márcia, que mora ali com seus três cachorros.

O Buss continuou fazendo o que sabia de melhor. A vida toda se sustentou com sua arte de alguma forma – às vezes até pintando pano de prato. Ele e a Tutti, sua companheira que também era da Turma, construíram um galpão no sítio onde vivem para que os artistas locais pudessem se encontrar e produzir. Ainda não está pronto. Zinho é produtor de áudio em uma rádio local. A esposa Lílian também chegou a escrever alguns poemas para o Cogu.

Vânia, a menina que tanto queria se enturmar, tornou-se amiga do pessoal. Trabalha com arte em cerâmica e circula pelo meio artístico despida dos medos que a família impunha. Quando jovem, nunca chegou a ler um exemplar do Cogumelo. Uma publicação dessas na mão de uma moça deixaria os pais furiosos. Provavelmente os irmãos a tinham escondida de alguma forma, mas jamais era algo que se leria em público. 

Sem mais peças e óperas rock, Samuel mergulhou nos estudos da música. Viajava para aprender e, hoje, ensina. A prioridade do Grimm é Deus. Depois de muito viajar pelo mundo por causa de suas pinturas, voltou para Brusque e há poucos anos converteu-se. Em um organizado caderno, guarda os recortes de jornais em que seu nome aparece. Os raros tostões que tem, investe na tradução de cartas e materiais sobre sua obra que envia a museus e universidades pelo mundo.

Leila deixou de escrever enquanto o Luís se mandou. Foi pra São Paulo, vendia artesanatos de couro e outras peças que dava jeito de fazer. Casou, voltou e, com a ex-companheira Cláudia Bia, produziu o jornal Contracorrente. Através da publicação, levaram grandes bandas nacionais para tocar na cidade e fomentaram a cena local. No final dos anos 80, Brusque chegou a ser conhecida como “Capital Nacional do Rock”, muito por causa do impulso que deram às bandas dali.

Todos seguiram e o Cogumelo Atômico ficou só na memória de quem o viveu. A cidade escolheu deixar adormecidas as histórias dos jovens rebeldes. Da Turma da Pedra, uns se falam mais, outros nem tanto. Os jardins da Barão já não existem e o Cônsul está numa posição mais modesta da praça. Ninguém se atreve a sentar ao seu redor.

Texto, diagramação, produção e tratamentos: Maria Zucco; Revisão: Vinícius Batista de Oliveira; Edição e captação de vídeos: André S. Neto; Música original de abertura: Gustavo Pereira;